Pesquisar  Meio Ambiente Ciência Duvidas Home

  

Desaparecidos

Emprego

Endereços Úteis

Bate Papo Noticias Fale Conosco

Historia do Açúcar Brasileiro

 

UMA EUROPA BRASILEIRAMENTE MAIS DOCE

O açúcar brasileiro alterou a dieta alimentar do mundo europeu. O produto, até o século XVI, vendido em boticas como remédio ou fazendo parte de heranças reais, passou a ser utilizado em larga escala. E a sobremesa se transforma numa presença constante nas refeições.

O caminho do açúcar até o Brasil foi longo. Há cerca de 6000 anos, os chineses já sabiam extrair o açúcar da cana. O produto já fazia grande sucesso e a cultura da cana se espalhou pela Ásia. O açúcar chegou à Europa há 23 séculos, trazido pelos exércitos de Alexandre Magno, quando regressaram da expedição de conquista da Índia.

Mais tarde, os cruzados trouxeram a cana-de-açúcar da Palestina e tentaram plantá-la nos seus países. Não tiveram grande êxito por causa do clima e o açúcar não deixava de ser um produto de luxo, vendido nas lojas dos boticários... Assim, o Oriente permanecia o maior fornecedor de açúcar do mundo ocidental e eram os negociantes de Veneza que iam a Alexandria buscar o açúcar trazido da Índia. Na cidade italiana, foram construídas as primeiras refinarias de açúcar.

Mas, no princípio do século XV, a situação mudou.

O Infante D. Henrique introduziu a cultura da cana na Ilha da Madeira, que começou a vender açúcar para todos os países da Europa. Em 1497, Vasco da Gama descobria o cabo da Boa Esperança, abrindo aos portugueses o caminho para a Índia. Os portugueses tornaram-se os maiores negociantes de açúcar. Lisboa era a capital da refinação e da comercialização das ramas de açúcar que vinham para a Europa.

A utilização do açúcar como adoçante, em substituição ao mel, causou na Europa do século XVI uma revolução comportamental e comercial, uma vez que o produto era usado anteriormente apenas como remédio. Esse fato destacou o Brasil, como grande produtor de açúcar, no mercado europeu.

Com o aumento das exportações de açúcar de cana para a Europa, em virtude de seu preço baixo e do consumo crescente, a agricultura canavieira é, desde o século XVI, o setor mais importante da economia colonial. As plantações e os engenhos da Zona da Mata nordestina e do Recôncavo Baiano constituem o maior pólo açucareiro da colônia, seguido por áreas do Maranhão, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Grande volume de capital é investido na preparação das terras, no plantio e na compra de equipamentos e de escravos. Produzidos e encaixotados pelos engenhos, os "pães de açúcar" eram embarcados para Portugal e Holanda, onde eram refinados. O produto final era comercializado na Europa por mercadores portugueses e flamengos.

O AÇÚCAR JUNTOU O ÍNDIO, O NEGRO E O BRANCO

Os índios, de norte a sul deste nosso território, sem muito esforço, freqüentavam a natureza. E tiravam tudo dela, principalmente, mandioca. Mandioca e suas farinhas. Mariscos e peixes ensopados ou assados, ou feitos com pirão de mandioca. Carne de caça, principalmente porco-do-mato. Carne socada com farinha virava paçoca. Pimentas. Milho, comido assado, cozido, ou na forma de mingaus. Batatas-doces, carás-roxos e brancos, feijões, batatas , abóboras e morangas. Frutas. Muitas frutas: abacaxi, abacate, jatobá, açaí, bananas, abiu, guaraná, pitanga, maracujá, carambola, goiaba, cajá, araçá, mangaba.

Os negros comiam o que lhes davam mas conseguiram impor uma dieta de misturas à base de azeite de dendê e pimentas. Além de criar alguns animais e manter uma pequena horta, cultivada heroicamente nos domingos e feriados, criaram pratos memoráveis, alguns com ingredientes africanos, outros daqui mesmo: caruru, vatapá, mingaus, pamonha, canjica, acarajé, angu.

O brancos portugueses trouxeram biscoitos, recheados ou não, que se comiam a bordo dos navios. Gostavam de pão, mel, queijos, arroz e cuscuz. E sabiam fabricar paio, presunto, azeite, queijos, marmeladas, vinhos, vinagre, aguardentes vinícolas. Eram especialistas em doces: sonhos, pão-de-ló, manjar branco. E o tomate e a batata, nativos, que se transformaram em base para sopas e companhias indispensáveis do bacalhau. Há quem defenda que seus cozidos deram origem à feijoada.

O açúcar foi, no Brasil, o responsável direto pelo início da colonização sistemática, além de fornecer os substratos básicos para a formação da sociedade brasileira. O latifúndio, a utilização da mão-de-obra escrava ou semi-servil e a economia agroexportadora deixaram marcas definitivas na história do país.

Em 1532, na capitania de São Vicente, Martim Afonso de Sousa deu início à grande expansão do açúcar, e também deu o pontapé inicial da propagação brasileira da paixão portuguesa pelo doce, ao instalar a sua fábrica de marmeladas. Alguns anos mais tarde, com o solo fértil de massapê do Nordeste, a cana-de-açúcar se espalhou por quase todo o litoral.

O português, surpreso com o que recebeu dos índios, enriqueceu a comida com temperos e molhos.

A partir de 1570, abriu-se o território aos colonos, principalmente nas regiões de Pernambuco. Com estes, chegaram os escravos negros que se tornaram fator dinâmico de transformação da natureza.

Povos Maleses e Haussás

A maioria dos negros africanos trazida ao Brasil pertencia aos seguintes grandes grupos étnicos: bantos, capturados no Congo, Angola e Moçambique; os sudaneses, originários da Nigéria, Daomé e Costa do Marfim; e, em menor número, os maleses, sudaneses convertidos ao islamismo, entre os quais se destacavam os haussás, grupo sempre lembrado por sua constante insubordinação e continuas revoltas. Os sudaneses dirigiram-se predominantemente para a Bahia e os bantos, para Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

 

TOPO