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Marqueteiro

Marqueteiro (ou marketeiro), segundo os principais dicionários brasileiros ("Aurélio" e "Houaiss"), é "pessoa ou profissional do marketing". O termo, todavia, é quase sempre utilizado pela imprensa para designar especificamente aqueles profissionais que fazem "marketing político". Contudo, como a expressão carrega um viés depreciativo, estes preferem ser chamados de "profissionais do marketing político" ou "consultores políticos".

A partir de 1991, os profissionais de marketing político passaram a contar com uma associação de classe, a ABCOP.

Histórico
A idéia de "vender" (ou "promover") um candidato a cargo político como se este fosse um sabonete (a alusão clássica feita ao uso do marketing na política) parece remontar ao artigo "An Episode in the History of Social Research: a Memoir", escrito por Paul F. Lazarsfeld em 1969, em que ele compara a equivalência existente entre "o voto socialista e a compra de um sabonete". No Brasil, embora ações que poderiam ser definidas como "marketing político" já estejam presentes no governo de Getúlio Vargas, nos anos 1940, a profissionalização do setor só ocorreria mesmo com as eleições presidenciais de 1989, envolvendo os candidatos Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello. A partir daí, estratégias elaboradas por profissionais de comunicação passaram a ser encaradas como de importância vital para o sucesso de uma campanha política.

Consultoria política em questão
De acordo com sua participação numa campanha eleitoral, os marqueteiros podem ser enquadrados em categorias de serviços, dos quais os mais importantes são:

Coordenação de campanha
Coordenação dos programas de televisão e rádio
Relações públicas
Assessoria de imprensa
Outros serviços, mais especializados, envolvem a criação de "jingles", elaboração de malas diretas e bancos de dados, assistência técnica de informática e assessoria jurídico-eleitoral (visto que as regras estabelecidas pelo TRE costumam mudar a cada eleição).

Embora tais serviços possam ser prestados por membros dos partidos ou profissionais avulsos, quase sempre os candidatos recorrem a empresas especializadas em marketing político, que possuem ou montam equipes de apoio de acordo com os recursos financeiros à disposição do contratante. Particularmente, a escolha do coordenador de campanha nas eleições pós-1989, tornou-se um assunto de vital importância para os aspirantes a cargos eletivos, independentemente de sua coloração política. Nomes como os dos publicitários Nizan Guanaes e Duda Mendonça (apontado como um dos responsáveis pela mudança na imagem pública de Lula em 2002) passaram a estabelecer os parâmetros (inclusive de remuneração) pelos quais os profissionais de marketing político buscam se guiar. Todavia, após os escândalos políticos de 2005, os princípios éticos de tais profissionais passaram também a ser mais questionados do que nunca.

Um outro problema, identificado por Scotto, diz respeito ao que fazem esses especialistas em marketing político entre uma eleição e outra: ao que se dedicam, do que vivem e qual o seu grau de vinculação com a política? Pelo perfil traçado pela pesquisadora, verifica-se que a grande maioria deles trabalham com a mídia (jornalistas, relações públicas), institutos de pesquisa ou agências de publicidade (das quais, muitas vezes, são os donos e o único publicitário).

Referências
^ SCOTTO, Gabriela. Encontros e Desencontros entre a Política e o Mercado: Uma Antropologia das 'Trocas' no Espaço do Marketing Político in "Horizontes Antropológicos", Porto Alegre, ano 9, n. 19, p. 49-77, julho de 2003.
 
 

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