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Totalitarismo

Totalitarismo é um regime político baseado na extensão do poder do Estado a todos os níveis e aspectos da sociedade ("Estado Total", "Estado Máximo").

Pode ser resultado da incorporação do Estado por um Partido (único e centralizador) ou da extensão natural das instituições estatais. Geralmente, é um fenômeno que resulta de extremismos ideológicos e uma paralela desintegração da sociedade civil organizada. A distinção entre totalitarismo de direita (Nazismo, Fascismo, Franquismo etc...) e de esquerda (Estalinismo, Maoísmo etc...) é insuficiente para compreender suas particularidades, funcionamento e aspirações enquanto regime político da modernidade.

O totalitarismo é um regime inserido na 'sociedade de massas', não existindo enquanto tal antes do século XX. São paradigmas na história os regimes totalitários de Adolf Hitler e Josef Stalin, respectivamente na Alemanha e na União Soviética.

O Totalitarismo foi objeto de sátira na obra de George Orwell.

Características
São características dos regimes totalitários de ambos os extremos do espectro ideológico:

Totalitarismo de esquerda
Totalitarismo de direita

características divergentes
abolição da propriedade privada;
coletivização obrigatória dos meios de produção agrícola e industrial;
supressão da religião da esfera política
tem como base o socialismo.
forte apoio da burguesia industrial;
corporativismo nas relações de trabalho e tutela estatal sobre as organizações sindicais
fundamentação ideológica em valores tradicionais (étnicos, culturais, religiosos)
forte apoio da religião.
tem como base o capitalismo.

características comuns
regime de partido único (e um partido de massas);
centralização dos processos de tomada de decisão no núcleo dirigente do Partido;
burocratização do aparelho estatal;
intensa repressão a dissidentes políticos e ideológicos;
culto à personalidade do(s) líder(es) do Partido e do Estado;
patriotismo, ufanismo e chauvinismo exacerbados
intensa presença de propaganda estatal e incentivo ao patriotismo como forma de organização dos trabalhadores;
censura aos meios de comunicação e expressão;
paranóia social e patrulha ideológica
militarização da sociedade e dos quadros do Partido;
expansionismo.


Acordo Hitler-Stalin, o Pacto Ribbentrop-Molotov dividiu a Europa entre os dois líderes totalitários. Cerimônia de assinatura: Molotov está assinando, Ribbentrop está atrás (com os olhos fechados), com Stalin à sua esquerda.Sob o título de totalitarismos, as diferenças ideológicas entre regimes como o nazismo de Adolf Hitler e o fascista de Benito Mussolini, o comunista de Josef Stalin e o de Mao Tse-tung, ficam enevoadas. No entanto, tais regimes pertencem a campos ideológicos antagônicos — extrema-direita de um lado e extrema-esquerda do outro. As diferenças que guardam são muitas e dizem respeito aos seus fins; o totalitarismo de esquerda (Stalinismo, Maoísmo e variações) representa o controle do poder político por um representante imposto dos trabalhadores, mas pressupõe uma revolução de fato no regime de propriedades, coletivizando os bens de produção e as terras, enquanto o de direita (Fascismo, Nazismo e variações) é essencialmente um artifício do grande capital para assegurar seus interesses de forma violenta. As semelhanças entre os regimes de Stalin ou Mao com os de Hitler ou Mussolini limitam-se aos métodos — por isso não se pode de forma alguma confundir os dois modelos: respectivamente, um coletiviza a propriedade, o outro a mantém para a classe burguesa.

Por outro lado, as semelhanças que estes extremos reúnem entre si são justamente os aspectos definidores do regime totalitário. Para determinados críticos, a aspiração destes regimes é de um domínio absoluto daqueles sob seu jugo, e, nas suas últimas conseqüências, ao domínio universal, sem a restrição imposta pela noção de Estado-nação (embora nem a União Soviética stalinista nem a Alemanha Nazista, os dois principais exemplos de totalitarismo na história, tenham declarado este propósito). A máquina governamental, na visão de alguns autores, aparece como mero instrumento para fins desse domínio total e universal aspirados por movimentos totalitários.

Para alguns, a operosidade dos seus regimes frente a suas populações parecem convergir no que diz respeito aos métodos e táticas empregados na própria manutenção, apesar das "confissões" do aparelho governamental de Mao sobre as contradições não antagônicas entre o estado e o povo chinês. Sem apelar para discursos ideológicos, todos esses regimes visavam a eliminação daqueles elementos que consideravam contrários a seus objetivos, sejam eles comunistas ou ultra-direitistas.


Fascismo
Ver artigo principal: Fascismo
Os governos de ultra-direita foram expressões do capitalismo monopolista, principalmente na Alemanha de Hitler. Neste último caso, o grande capital o apoiou o regime desde o princípio, tomando lugar nas explorações tanto por parte do grande como do pequeno capital da mão-de-obra escrava dos campos de concentração postos em funcionamento pelo regime nacional-socialista. O regime de Hitler era, desde seu início, anti-liberal tendo derrubado antigas estruturas institucionais imperiais bem como antigas elites consolidadas. Já o caso italiano foi mais proveitoso ao capital na medida em que extinguia sindicatos e obstáculos à administração patronal do trabalho. Ali sim, o movimento foi no interesse de velhas classes dominantes em reação às agitações esquerdistas revolucionárias que se avolumavam.


Stalinismo
Ver artigo principal: Stalinismo
Com o objetivo de coletivizar a propriedade privada na União Soviética, Stalin ascendeu ao poder galgando cargos burocráticos até assumir o aparelho do Partido por meio de lutas internas pelo poder fazendo parte de segmentos conspiratórios no interior do partido bolchevique. Tendo estabelecido um governo marcado pelo terror, justificado por conspirações fictícias, instalado em todos os âmbitos da vida social, como nos regimes totalitários de direita, Stálin também levou a cabo assassinatos e expurgos em massa daqueles considerados opositores à causa do partido, ou mais especificamente ao que ele enquanto líder soviético considerava as causas do movimento dos trabalhadores, haja vista a limpeza que efetivou nos altos escalões da máquina governamental e do partido bolchevique como um todo.


Gênese e contexto histórico
Foi ainda no decorrer da Primeira Guerra Mundial que começou a nascer o Totalitarismo, fenômeno político que marcou o século XX. Com a necessidade de direcionar a produção industrial para as demandas geradas pela guerra, os governos das frágeis democracias liberais européias tiveram de se fortalecer, acumulando poderes e funções de Estado, em detrimento do poder parlamentar, para agilizar as decisões importantes em tempos de guerra. Quando voltasse a paz, dizia-se, esses poderes seriam retornados à distribuição democrática usual. Mas não foi isso que aconteceu.

O Estado com executivo forte e legislativo debilitado que se constituiu durante a Primeira Guerra acabou sendo a semente do modelo de Estado autoritário que surgiria na década seguinte. Das várias monarquias parlamentares européias em 1914 (Reino Unido, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega, Sérvia, Bulgária, Romênia, Grécia, Áustria-Hungria e outras), só a britânica terminou o século sem ter passado por uma ditadura de inspiração fascista.


A propaganda totalitária
Elemento de destaque constituiu a propaganda entre os movimentos totalitários do século XX. Aspirando ao domínio total da população em regimes pautados por teorias conspiratórias e uma realidade fictícia criada em meio a um desprezo pela realidade dos fatos, a propaganda totalitária foi essencial para, num primeiro momento, a conquista das massas e arregimentar em torno de si uma enorme quantidade de simpatizantes. Já empossados da máquina governamental, o terror, ainda restrito na ascenção dos movimentos ao poder, assume sua forma mais acabada, e, com isso, constitui-se no melhor instrumento de propaganda destes regimes: dão realidade às afirmações fictícias do regime. Como exemplo, Stalin, ao divulgar que acabara com o desemprego na URSS, uma inverdade de fato, extinguiu os programas de benefícios para desempregados; ao afirmarem, os nazistas, que poloneses não tinham intelecto, começaram o extermínio de intelectuais poloneses.

Desta forma, o uso da violência é tido como parte da propaganda. E a primeira só vai substituir a segunda na medida em que a dominação vá se efetuando completamente. A propaganda é destinada aos elementos externos ao movimento, àqueles que ainda não se domina completamente, já o terror é perpetrado entre aqueles já dominados e que não mais oferecem resistência ao regime, alcançando sua perfeição nos campos de concentração onde a propaganda é totalmente substituida pela violência.

Foram também apontadas semelhanças entre a propaganda totalitária e a propaganda comercial de massa que se desenvolvia nos Estado Unidos naquele início de século utilizando argumentos cientificistas para suas afirmações justificando a supremacia de suas próprias razões. Tal crença nos argumento da ciência iniciada com as descobertas da física do século XVI e XVII, são importantes ainda que desfiguradas nos regimes totalitários. Inicialmente vista como solução dos problemas da humanidade, em termos utilitaristas, o cientificismo do totalitarismo é esvaziado deste conteúdo adquirindo feições proféticas e desprovidas de um bom senso utilitário que apelava ao individualismo da sociedade capitalista. A sociedade massificada em que dominavam os regimes totalitários lidavam com um indivíduo atomizado que, para o espanto do mundo não-totalitário, perdia até mesmo seu instinto de auto-conservação.


Referências bibliográficas
ARENDT, Hannah. "O Totalitarismo", In: Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 339-531.
HOBSBAWM, Eric. "A queda do liberalismo", In: A Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 113-143.
MOTA, Fernando C. Prestes. O Que é Burocracia. São Paulo: Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981.
NETTO, José Paulo. O Que é Stalinismo. São Paulo: Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1981.
PRINCIPE, Angelo. The Darkest Side of the Fascist Years, Guernica Editions, 1999.
SPINDEL, Arnaldo. O Que é Comunismo. São Paulo: Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1980.
SPINDEL, Arnaldo. O Que São Ditaduras. São Paulo: Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1980.

 
 

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