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Após denúncias, BB suspende patrocínio ao vôlei brasileiro

Acordo que durava 23 anos foi interrompido após relatório do CGU confirmar irregularidades na entidade na época em que Ary Graça era o presidente.


Bruninho, capitão da seleção. Banco do Brasil patrocinava a seleção desde 1991 (Andrew Medichini/AP/VEJA)

O Banco do Brasil suspendeu nesta quinta-feira o pagamento do patrocínio à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), após relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontar irregularidades na administração dos recursos da entidade. A auditoria foi instaurada após vários indícios de desvio de dinheiro em contratos da CBV serem levantados em reportagens do canal ESPN Brasil.

"Há alguns meses estamos pressionando a CBV para fazer um aditivo ao contrato de patrocínio para adotar várias das medidas preconizadas pela Controladoria-Geral da União. Como as providências não foram adotadas, decidimos suspender o pagamento", disse a assessoria de imprensa do Banco do Brasil, principal patrocinador da entidade. O banco estatal só vai retomar a parceria quando a entidade regularizar sua situação.

"O Banco do Brasil reitera que não irá compactuar com qualquer prática ilegal, ou que seja prejudicial ao esporte e à comunidade do vôlei, e entende ser necessário que a CBV adote novas práticas de gestão que tragam mais disciplina e transparência à aplicação dos recursos", diz trecho do comunicado emitido pelo banco. No relatório também divulgado nesta quinta-feira, a CGU apurou que empresas como a S4G e SMP, de propriedade de dirigentes e ex-dirigentes da CBV, receberam comissões por prestação de serviços inexistentes. No total, foram detectadas irregularidades de 30 milhões de reais em contratos da entidade.

O contrato de patrocínio do Banco do Brasil à CBV é o mais antigo em vigência a uma confederação esportiva nacional - o primeiro foi assinado em 1991, um ano antes da conquista do ouro na Olimpíada de Barcelona. O atual compromisso expira em 30 de abril de 2017. Os valores são sigilosos. Após as denúncias, Ary Graça renunciou, em março deste ano, ao cargo de presidente da CBV. Ele ocupava o cargo desde 1995, mas estava licenciado desde que foi eleito presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em dezembro de 2012. Graça, que continua no comando da entidade internacional, se defendeu das acusações.

"O ex-presidente da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), Ary Graça, esclarece que não teve, até o momento, acesso ao relatório da CGU. Ele refuta as acusações feitas na imprensa e reafirma que auditoria externa da Price na CBV avaliou todos os contratos e não encontrou nenhuma ilegalidade. Em consulta a advogados externos também foi reafirmado que os contratos são absolutamente legais. Estes documentos estão em posse da CBV", afirmou o ex-presidente da CBV por meio de nota oficial.

Ary Graça ainda citou todos os êxitos da modalidade no país para justificar sua inocência. "Seria impossível o voleibol brasileiro ter chegado ao ponto que chegou sem a efetiva prestação dos serviços pelas empresas.O trabalho realizado pelo grupo de experts, durante dois anos, possibilitou o aumento do valor do patrocínio do Banco do Brasil em mais de cem milhões de reais, o que foi profundamente meritório."

Walter Pitombo Larangeiras, conhecido como Toroca, que foi vice-presidente da CBV por mais de 30 anos, assumiu o cargo deixado vago por Ary Graça e comanda a entidade desde então. A entidade também enviou um comunicado negando todas as irregularidades. De acordo com as reportagens da ESPN Brasil e os relatórios do CGU, a CBV manteve acordos ilegais com empresas prestadoras de serviço, cujos proprietários são funcionários ou parentes de funcionários da entidade.

(Com Estadão Conteúdo e Gazeta Press)

 

 
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